
Ao longo destes 29 anos muitas vezes
sentia que as pessoas esqueciam-se de mim, não era a primeira escolha delas,
muitas vezes só era escolhido porque já não tinham mais opções. Muito raramente
dava o primeiro passo de ser eu a escolher.
Tentava fugir de todos para não sentir
aquela rejeição e acabava por fugir de mim também. Em casa fechava-me no meu
quarto, deitava-me na cama às escuras a chorar, nem eu próprio conseguia
amparar-me.
Fui crescendo, saí da escola e comecei a
trabalhar à espera de mudanças mas a verdade é que não chegaram, continuei a
ser posto de parte, a ficar num canto sozinho e novamente não era a primeira
escolha.
Já tive vários empregos e sempre foi
tudo igual, eu esqueci-me de mim, daquilo que eu gostava, daquilo que eu queria
fazer e os outros apenas mostravam-me isso, esqueciam-se de mim, não me davam
valor, basicamente passei a ser um saco de boxe para eles, na escola em forma
de agressão física, em adulto da forma verbal. Era um entretimento para os
outros, uma forma de descarregarem a raiva e as frustrações deles.

Até que quando fiz os 29 anos
em Setembro de 2016 as coisas começaram a mudar, pois ao começar a praticar
yoga, comecei a ver-me, a descobrir-me e as feridas que eu tinha eram enormes.
Doíam bastante, então propôs-me à auto cura e ao longo desses 28 anos cresceu
uma raiva enorme dentro de mim e que só agora começou a sair para fora, uma
grande fúria incontrolável, passei de 8 a 80.
Hoje tenho uma mensagem para todos que
se esqueceram de mim (inclusive para mim, que não sou exclusão), aquela criança
frágil e fraca que se esqueceram dela, cresceu e tornou-se forte. Hoje
valoriza-se e já não se esquece tanto dela e hoje defende-se das agressões.
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